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Adm. Herbert Lobo: "Meio ambiente: versões versus verdades"

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Em 1º de novembro de 2017, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi, enfim, reaberto à visitação. Após cerca de 20 dias de incêndio, foram consumidos quase 26% da unidade de conservação (UC), uma área total de 68 mil hectares.

Perícias realizadas no local revelam que o fogo iniciou de forma intencional, em provável retaliação ao decreto assinado pelo presidente Michel Temer no último dia 5 de Jjnho, que ampliou a área do parque de 65 mil para 240 mil hectares. Não fosse ampliado, o parque poderia ter deixado de existir, dado que a área consumida pelo fogo (68 mil hectares) é maior que a área do parque anterior ao decreto presidencial (65 mil hectares).

No mesmo dia em que ampliou o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros em 175mil hectares - Dia Mundial do Meio Ambiente -, o presidente da República aumentou em 6 mil hectares a área da Reserva Biológica União, no Rio de Janeiro, e em 22 mil hectares a Estação Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul. Também decretou a criação do Parque Nacional dos Campos Ferrugiosos com mais de 79 mil hectares, na região de Carajás no Pará. Em apenas um dia mais 282 mil hectares passaram a ser ambientalmente protegidos por lei.

O governo que é atacado na área ambiental por grupos organizados, principalmente nas redes sociais, é o mesmo enfrentou uma intensa batalha com proprietários de terras, latifundiários, grileiros, empresas mineradoras e uma atenta e engajada bancada ruralista no Congresso Nacional, para viabilizar tantos avanços na área ambiental.

Além da significativa ampliação de área de unidades integrais de conservação, o governo também tornou o acordo de Paris sobre Mudança do Clima parte da legislação brasileira e lançou o Programa Nacional de Recuperação de Nascentes e de Áreas de Preservação Permanentes (APPs).

As iniciativas governamentais acima descritas e tantas outras não citadas confirmam que vivemos a era da pós-verdade, em que as crenças, por vezes não fundamentadas, são mais importantes do que a averiguação dos fatos. O que importa é a versão, e não mais a verdade. Uma relativização que precisa ser enfrentada com coragem.

A crítica é salutar. Governos devem estar sob constante observação e pressão social, mas, para ter efeitos positivos e transformadores, a crítica, deve ser técnica, justa e consequente, não baseada em análises rasas e ligeiras.

Tal qual seus antecessores, o atual governo tem suas contradições na área ambiental e também comete equívocos, como ocorreu no caso da Reserva de Cobre. Entretanto, o maior de seus erros, ainda, é o de comunicação.

Adm. Herbert Lobo
Superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
(Ibama) no Ceará