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Discurso do Adm. Eleazar de Castro, que falou em nome dos homenageados na CMF

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Em primeiro lugar, agradeço, em nome de meus companheiros de categoria, pela abertura desta casa para as comemorações do Dia do Administrador, data que ocorrerá no próximo dia 9 de setembro. Essa é uma atitude democrática e que valoriza os atores sociais que querem contribuir para o País.


Vivemos tempos ásperos em nosso País. A crise institucional agudizada nos últimos anos, trouxe consequências muito impactantes ao povo brasileiro e à sua história. Como estudioso do nazismo e da II Guerra Mundial, posso dizer que os cenários são perigosamente parecidos com os da Alemanha do pós-I GM: convivência com ideologias totalitárias, extremismo, radicalismo, intolerância, e até violência. Os acontecimentos de hoje ainda não estão nos níveis alemães da época, porém as redes sociais fazem esse papel de “praças e ruas virtuais”, onde as pessoas se ofendem, digladiam e rompem seus relacionamentos.
Ao lado disso, ressalta-se a tentativa dos grupos políticos de culparem uns aos outros pela crise, em formas simplórias e superficiais de tratar as questões complexas e profundas desse momento que estamos vivendo.
O incêndio do Museu Nacional, o mais antigo do Brasil e um dos poucos lugares do País com peças históricas impressionantes, parece ser um fato simbólico dessa crise.
Afora o valor inestimável e irrecuperável das peças, o que queimou foi mais uma parte da nossa alma. A história é um elemento formador de identidade, no caso de nossa "brasilidade". Ao perdermos uma parte dessa identidade, de nosso orgulho nacional, perdemos também a conexão entre passado, presente e futuro, tão necessária à nossa visão de mundo. Por isso, os museus são tão importantes nos países civilizados. E isso acontece quando a autoestima da população está num dos níveis mais baixos que já vimos.
Penso que podemos e devemos – todos nós, cidadãos brasileiros, sejamos administradores, políticos ou quaisquer outras profissões – tomar algumas atitudes urgentes, sob pena de criarmos um lugar muito ruim para nós, a presente e futuras gerações.
Em primeiro lugar, uma das primeiras atitudes é promover uma mudança cultural na forma como vemos o Estado brasileiro. Não há como enxergarmos este País como uma fonte inesgotável de recursos, onde muitos pensam em tirar proveito para si próprios.
Em segundo lugar, devemos contribuir para estabelecer o primado da tolerância. Não há fórmula individual ou ideológica, por si mesma, que traga a prosperidade de uma nação. Ela é fruto de costuras e de conexões grupais, que devem pensar a realidade coletiva do País. Mas atenção: não estou falando nas alianças pragmáticas, que visam à conquista e manutenção do poder. É muito mais do que isso. Estou me referindo à participação dos diversos atores sociais, que dão suas contribuições, sem a interferência dos interesses pessoais, ideológicos e partidários, para que a sociedade reflita menos a desigualdade que nos ameaça permanentemente.
Em terceiro lugar, é preciso desafiar a cada um de nós a sermos coerentes com os juramentos políticos e profissionais que prestamos, para assentar um tijolinho na construção de uma sociedade justa. A ausência de coerência leva ao cinismo, ao descrédito, e enfim à passividade social.
Em quarto lugar, lutar para que o mérito profissional saia dos nossos discursos teóricos e se instale nos empreendimentos sociais em que o Estado participe. Não há como desculpar uma decisão política que privilegia o interesse, quando deveria optar pela escolha técnica. Organizações municipais e estaduais, por exemplo, devem ser geridas por Administradores, assim como esses profissionais não são convidados para fazerem cirurgias ou construir prédios.
O Conselho Regional de Administração, tenho certeza, deseja fortemente que esse mérito social seja a prova inequívoca de que aqueles que investem também sejam aqueles que são valorizados, pela contribuição aos princípios de justiça social que dão.
Para finalizar, é preciso que ensinemos aos que nos sucederão, não somente por meio de lições teóricas, mas por nossos exemplos, de que todos eles podem ser preservadores das instituições sociais, e não somente usufruidores delas. Como Administrador, mas também como educador, sustento que a educação é uma das chaves para resgatar a boa vocação dos que construíram esse País no passado. Mas ela não é meramente instrumental, não deve ser apenas utilitária, não só se destina a permitir o acesso às profissões no vestibular, a enciclopedicamente produzir bons resultados em olimpíadas e certames de conhecimento, o que parece ser uma obsessão de alguns grandes centros de educação locais. A não somente construir a imagem de uma celebridade, de uma virtuose profissional.
A educação não somente valida a importância profissional que temos, ela deve se estender às ruas e nos tornar mais cidadãos, mais comprometidos com o tecido social. A educação é humanizadora, dando condições de ver o mundo como o lugar de si e dos outros. De enxergar a diversidade social como uma virtude e não como uma ameaça.
Como diz um texto encontrado num campo de concentração, após a Segunda Guerra Mundial:
"Sou sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver. Câmaras de gás construídas por engenheiros formados. Crianças envenenadas por médicos diplomados. Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas. Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim tenho minhas suspeitas sobre a Educação. Meu pedido é: ajudem as crianças a tornarem-se humanas. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e saber aritmética só são importantes se fizerem nossas crianças mais humanas."

Conclamo todos, homens, mulheres, crianças e idosos, profissionais graduados e técnicos, Administradores ou não, a encontrarem espaço de respeito, ética e reciprocidade, que nos permitam a continuidade da vida na paz e não na guerra. Utopia? Lembro que, em última análise histórica, são as utopias que produzem transformações no mundo.

PARABÉNS AOS ADMINISTRADORES! MUITO OBRIGADO!

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